Toda luz que não podemos ver, Antonhy Doerr

A bondade, mais do que qualquer outra coisa, é o que perdura.

São muitos os livros e os filmes que falam sobre o período nebuloso que foi a Segunda Guerra Mundial. Entre eles, Toda luz que não podemos ver se destaca pela imensurável delicadeza e sensibilidade ao abordar o tema. Página após página, Anthony Doerr nos envolve com os mais variados sentimentos e sensações – medo, empatia, tristeza e aquela felicidade bruta que dividimos com o personagem e sabemos que vai durar apenas um minuto antes de se transformar em uma lembrança distante.

Na minha vida, a Segunda Guerra foi apenas uma aula de história, ~fatos em um livro. Talvez porque o impacto sofrido pelo Brasil foi muito menor do que em outros países, o assunto parece não carregar o mesmo peso que possui nas terras acima da linha do Equador. E então, um livro de ficção nos faz lembrar que ainda existem muitas pessoas cujas memórias são assombradas pelos fantasmas de pessoas que elas amaram e odiaram.

42886880Marie-Laure vive em Paris, perto do Museu de História Natural, onde seu pai é o chaveiro responsável por cuidar de milhares de fechaduras. Quando a menina fica cega, aos seis anos, o pai constrói uma maquete em miniatura do bairro onde moram para que ela seja capaz de memorizar os caminhos. Na ocupação nazista em Paris, pai e filha fogem para a cidade de Saint-Malo e levam consigo o que talvez seja o mais valioso tesouro do museu. Em uma região de minas na Alemanha, o órfão Werner cresce com a irmã mais nova, encantado pelo rádio que certo dia encontram em uma pilha de lixo. Com a prática, acaba se tornando especialista no aparelho, talento que lhe vale uma vaga em uma escola nazista e, logo depois, uma missão especial; descobrir a fonte das transmissões de rádio responsáveis pela chegada dos Aliados na Normandia. Cada vez mais consciente dos custos humanos de seu trabalho, o rapaz é enviado então para Saint-Malo, onde seu caminho cruza o de Marie-Laure, enquanto ambos tentam sobreviver à Segunda Guerra Mundial.

Como em uma aula de psicologia, Doerr conseguiu traduzir os pormenores do nazismo, as sutilezas que fizeram com que a ideologia hitlerista alcançasse os lares alemães e tirasse das mãos das pessoas a escolha de participar ou não daquele movimento. A princípio, Werner viu uma oportunidade de ter uma vida diferente do seu pai, de fugir da morte nas minas (destino de todos os homens em sua cidade). Werner achou que o nazismo lhe daria um futuro, faria dele um cientista. O que você poderia ser…

Não muito longe dali, Marie-Laure nos faz ir além do que os nossos olhos cansados podem ver. A garota cega francesa explora os cheiros, os sons e o não-dito da guerra, enquanto seu habilidoso pai constrói pequenos mundos para ela.

Cada um seguindo o seu caminho e nos levando a acreditar que eles vão se cruzar, nem que seja por um instante.

Suas opções revelam antes um desejo de compreender o período do que de acusar grupos em bloco. (…) Neste mundo em dissolução, do qual as pessoas são expulsas gratuitamente, há a construção de uma rede de relações duradouras. Anthony Doerr ergue um enredo em que o vínculo é muito maior do que a força destrutiva. Tanto entre os franceses quanto entre os alemães, ele encontra personagens do bem tentando neutralizar as ações perversas da ideologia nazista que empurrava todos, indistintamente, para a frente de batalha. (Miguel Sanches Neto)

Como a humanidade pode ser tão autodestrutiva? Como alguém pode se considerar tão superior? Milhões de vidas perdidas, em nome de quê? No meio de tanta desilusão, o livro nos pensar no que nos faz humanos, em essência – e em toda luz que não podemos ver.

Resultado do Sorteio:

Parabéns, Lucas Rodrigues de Souza! Você ganhou um exemplar de Toda luz que não podemos ver :)

SELO_BLOGSPARCEIROS_2015Título Original: All the light we cannot see
Editora: Intrínseca
Tradução: Maria Carmelita Dias
Número de Páginas: 528

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