Mosquitolândia, David Arnold

Mary Isis Malone é uma garota um tanto repetitiva. Além de dizer o próprio nome diversas vezes durante a narrativa, faz questão de (re)lembrar frequentemente o leitor que é cega de um olho. Não sei se intencional, mas a repetição acaba soando como um lembrete pra ela própria, uma tentativa se reafirmar sua identidade. E Meu Deus (outra expressão gasta durante o texto) como gosta de recontar histórias. É como se o leitor pudesse sofrer de perda de memória recente.

A menina de dezesseis anos possui um vocabulário rico para sua idade e seus pensamentos oscilam entre reflexões filosóficas profundas e momentos de imaturidade, falta de experiência e sentimentos intensos.Não consegui me identificar com Mim (apelido auto-atribuído). Em meu pré-julgamento (pois não conheço o autor e suas fontes de inspiração) penso que descrever o complexo labirinto que é a cabeça de uma adolescente seja um grande desafio para um homem. Mas vamos começar do começo – a história:

downloadApós o inesperado divórcio dos pais, Mim Malone é arrastada de sua casa em Ohio para o árido Mississippi, onde passa a morar com o pai e a madrasta e a ser medicada contra a própria vontade. Porém, antes mesmo de a poeira da mudança baixar, ela descobre que a mãe está doente. Mim foge de sua nova vida e embarca em um ônibus com destino a seu verdadeiro lugar, o lar de sua mãe, e acaba encontrando alguns companheiros de viagem muito interessantes pelo caminho. Quando a jornada de mais de mil quilômetros toma rumos inesperados, ela precisa confrontar os próprios demônios e redefinir seus conceitos de amor, lealdade e sanidade.

Como uma tradicional road-trip, a história é repleta de personagens marcantes que constroem o caminho de Mim de volta a Ohio. Com destaque para Walt – o amigo com Síndrome de Down e o coração mais puro das terra americanas -, Mary descobre o mundo ao mesmo tempo em que se deixa descobrir. Descobre a doçura e o amargor da vida, em especial, a vida de uma jovem mulher desacompanhada.

Ao final da viagem, somos apresentados à verdade que Mary se recusava a enxergar, um momento convidativo à auto-reflexão: será que a nossa tristeza ou a nossa raiva não nasceu quando nos recusamos a ver aquilo que estava bem na nossa frente?

SELO_BLOGSPARCEIROS_2015

 

Título Original: Mosquitoland
Editora: Intrínseca
Tradução: Alyne Azuma
Número de Páginas: 350

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